BR-135 está entre as rodovias federais mais perigosas do Brasil

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Uma simples mudança – como melhorar a sinalização das estradas – poderia reduzir número de mortes em 21%, diz CNT

Por dia, ao menos 20 pessoas morrem nas rodovias federais brasileiras, segundo estudo da Confederação Nacional do Transporte, divulgado nesta segunda-feira (4). Entre 2007 e 2017, de acordo com o levantamento, foram 1,65 milhão de acidentes nas estradas federais que resultaram em 83.481 mortes.

Ao longo da década, o número de acidentes rodoviários caiu 30% no Brasil. Mas as ocorrências ficaram mais graves: o número de mortes a cada 100 acidentes pulou de 5,5 em 2007 para 7 óbitos em 2017.

Carros e motos respondem sozinhos por 65% dos casos de acidentes fatais. Caminhões, bicicletas e ônibus apareceram, respectivamente, em 10,3%, 4,6% e 2,9% dos casos. Quase 60% das ocorrências foram de colisões. Saída de pista e capotamento concentram 14,5% e 11,8% dos acidentes registrados.

É na altura dos quilômetros 418 e 228 da BR-135, em Monte Alegre do Piauí (PI), que houve a maior concentração de acidentes: no total, 593 casos entre janeiro e dezembro do ano passado.

Os trechos de rodovia federais mais perigosos do Brasil, listados abaixo, foram classificados de acordo com o número absoluto de mortes registradas no ano passado. A lista de completa pode ser acessada aqui.

Rodovia UF Município Início do Trecho (Km) Fim do Trecho (Km) Número de mortes Número de Acidentes Posição
BR-101 ES Guarapari 343,1 353,1 21 14 1
BR-101 PE Abreu e Lima 42 52 15 142 2
BR-040 GO Luziânia 10 20 15 103 3
BR-381 MG Itatiaiuçu 524,6 534,6 14 95 4
BR-116 SP Guarulhos 210,6 220,6 13 252 5
BR-101 ES Mimoso do Sul 444,2 454,2 13 15 6
BR-040 GO Luziânia 20 30 11 37 7
BR-040 MG Alfredo Vasconcelos 689,5 699,5 11 29 8
BR-040 MG Contagem 516,7 526,7 10 118 9
BR-110 BA São Sebastião do Passe 391,4 401,4 10 11 10
BR-135 PI Monte Alegre do Piauí 418 428 10 3 11

Qualidade das estradas x acidentes

As estradas cuja qualidade do pavimento foi bem avaliada pela CNT concentram o maior número de acidentes graves quando comparadas com aquelas que têm avaliação negativa. Rodovias com pavimento ótimo tiveram 11,2 mortes para cada 100 acidentes, enquanto naquelas com qualidade péssima, a taxa foi de 7,7 óbitos para 100 casos.

Por um lado, esse aparente contrassenso se explica, segundo o estudo, pelo fato de que nas vias com boa pavimentação, há a possibilidade de os veículos atingirem uma maior velocidade.

Por outro, o relatório revela que a sinalização da rodovia é um fator importante para o risco de letalidade dos acidentes nessas vias. Segundo o estudo, nos trechos cujo pavimento foi bem avaliado, a gravidade dos acidentes aumenta conforme as condições de sinalização pioram.

Quando a sinalização foi considerada ótima, as vias com pavimento ótimo tiveram 8,4 mortes a cada 100 acidentes. Nos casos em que a sinalização foi considerada péssima, os trechos com pavimentos igualmente ótimos apresentaram 18,9 óbitos por 100 acidentes.

Para se ter uma ideia, a ausência de placas com o limite de velocidade dobra o risco de morte nas estradas. “Onde as placas são ausentes, o índice de mortes por 10 km de extensão é de 19,9. Onde elas são presentes, cai para 10,2”, diz o relatório.

Em quase 45% dos casos, a Polícia Rodoviária Federal atribui à falta de atenção do motorista a razão para os acidentes. No entanto, o estudo revela  que “as condições da infraestrutura viária são fortes indutoras à ocorrência de acidentes atribuídos a deficiências do motorista”.

Por exemplo, segundo o relatório, nos casos em que a falta de atenção dos motoristas foi mencionada pelos agentes, a gravidade dos acidentes é duas vezes maior nas estradas em que a sinalização foi avaliada como péssima do que naquelas em que a sinalização foi considerada como ótima.

A CNT calcula que se a sinalização em todos os trechos em que ocorreram acidentes fosse perfeita, seria possível reduzir em 21,5% o número de mortes nas rodovias. Se a geometria da via estivesse em condições ótimas, a redução seria de 35,4%.

Fonte: Exame

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