Ludmila, a breve. Secretária do GDF não resiste a áudio e pede exoneração

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A passagem de Ludmila de Faro pelo Governo do Distrito Federal (GDF) durou menos de 24 horas. Nomeada na segunda-feira (11/12) para a Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do Distrito Federal (Sedestmidh), ela não resistiu ao desgaste causado pela divulgação de um áudio em que faz duras críticas ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB) dois meses antes de assumir cargo no primeiro escalão.

Soma-se ao constrangimento do áudio o motim que servidores de carreira da Secretaria do Trabalho fizeram em repúdio à nomeação de indicações políticas ligadas ao grupo de Ludmila.

Na noite desta terça (12), o cerimonial do GDF divulgou um “comunicado urgente” dando conta de que a solenidade de posse da nova secretária do Trabalho, até então marcada para as 16h de quarta (13), estava cancelada.

Em nota enviada a Rollemberg na noite desta terça (12), Ludmila explica os motivos que a levaram a desistir do cargo. Logo em seguida, o governador aceitou o pedido.

Veja a nota:

Exmo. Sr. Governador,

Quando aceitei essa nobre missão confiada a mim por Vossa Excelência, foi porque me certifiquei de vossa seriedade no trato com a coisa pública, no empenho em sanear as contas do Governo do Distrito Federal e implementar ações que busquem a legalidade no governo.

Tendo em vista a divulgação de gravação de uma reunião interna na executiva do PSDB, de forma a atingir a credibilidade e a confiança que senti em V. Exa., e também o desejo de acertar e de contar com os quadros do PSDB para ajudá-lo a governar, solicito meu afastamento do cargo.

Desejo sucesso ao seu governo.
Ludmila Faro

A crise
Em discurso que acabou sendo gravado, em outubro passado, Ludmila definiu a atual gestão como a “pior que Brasília já viu” e Rollemberg como “o pior dos piores”, “pior governador que jamais imaginaríamos”. As declarações foram feitas durante discurso para uma plateia de tucanos.

Na época, Ludmila encontrava-se alinhada ao presidente do PSDB local, Izalci Lucas. Ao longo de 4’27”, ela enalteceu o trabalho do partido em que atua e ao qual é filiada. Ainda segundo ela, a legenda estava “incomodando essa cidade”. “Eu quero saber quem é o candidato, quem é o partido que tem um projeto para Brasília?”, disse.

A agora ex-aliada de Rodrigo Rollemberg fez, inclusive, elogio rasgado ao deputado federal que comanda a legenda: “Eu tenho certeza que o nosso programa será o melhor que Brasília já viu. É por isso que quero parabenizar o deputado Izalci pela sua coragem. Eu pensei que poderia não dar certo, mas você motivou [sic]”.

Em um dos trechos mais contundentes de sua objeção ao governo do qual agora se desliga, a substituta de Gutemberg Gomes, exonerado após o PDT romper com a base governista, declarou: “Nós estamos perto de eleger o nosso presidente, a nova executiva. E nós podemos apostar em dois projetos. Um é a volta ao passado. Um é um projeto que quer que a gente seja coadjuvante de um projeto fracassado. Do pior governo que Brasília já viu, que é o do Rollemberg. Um governo que nos chama agora, onde não tem jeito mais para nada. O pior dos piores, e ainda quer que nós sejamos ‘vice’ [sic]”.

Apesar das restrições à gestão do socialista, Ludmila aceitou o convite para ingressar no primeiro escalão do governo. Além da sua, o GDF publicou, na segunda-feira (11), em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal, a nomeação de 28 pessoas ligadas ao PSDB. O partido já enfrentava fissura, contudo a ida da ex-governadora Maria de Lourdes Abadia para o Executivo reforçou a divisão interna.

De um lado, estão os aliados de Izalci, os quais querem manter um projeto de candidatura majoritária ao GDF e não aceitam compor com Rollemberg. Do outro, a ala do PSDB que aceitou a parceria com Rollemberg em troca de espaço no governo. Essa turma considera a liderança de Izalci autoritária e deve acompanhar o governador em seu projeto de reeleição.

Fonte: Metrópoles

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